Bronquite Infecciosa das Aves

Bronquite Infecciosa das Aves

Definição: enfermidade viral altamente contagiosa, a qual acomete galinhas de todas as idades. Caracterizada por sinais respiratórios e renais. Destaca-se como um dos mais importantes problemas sanitários do plantel avícola brasileiro.

Etiologia

Vírus pertencente a família Coronaviridae e gênero Coronavirus.

Características do Agente

Vírus RNA fita única, envelopado e pleomórfico.
Apresenta quatro proteínas estruturais: glicoproteína de espícula (S), glicoproteína integral da membrana (M), proteína pequena de membrana (E) e a proteína fosforilada do nucleocapsídeo (N). A glicoproteína de espícula (S) é dividia em S1 e S2. A S1 é muito importante para a resposta vacinal, com alto grau de variabilidade sendo responsável pela mutação e recombinação de novos sorotipos.
*Proteção cruzada entre sorotipos é variada.

Resistência do Agente

Vírus termo sensível, na primavera a sobrevivência é de 12 dias e no inverno de 56 dias. É sensível a maioria dos desinfetantes.

Epidemiologia

-O vírus causa enfermidade apenas nas galinhas;
-Acomete jovens e adultos;
-O sorotipo Massachusetts é o mais prevalente no Brasil (todas as regiões);

Transmissão

Horizontal: por contato direto ou indireto por aerossóis.
Aves portadoras podem transmitir por até 40 dias.

Patogenia

Vírus epiteliotrófico se instalando em diversos epitélios no organismo (trato respiratório, reprodutivo, urinário e digestório). O trato respiratório é o principal sítio de replicação.

Sinais Clínicos

Aves Jovens: secreção na traquéia e brônquios levando a espirros e ronqueira, conjuntivite, prostração, redução do consumo de alimentos, descarga mucosas pelas narinas. Pode-se ter aerossaculite na presença de infecção  secundária o que leva a condenação da carcaça no abate.
Aves em Postura: sinais respiratórios são discretos, tem-se queda na produção de ovos, alterações na qualidade da casca do ovo, ovos de casca fina, ovos enrugados e mal formados e atrofia renal. Se o vírus afetar poedeiras jovens (antes de 2 semanas de idade) há lesão em oviduto e tornam-se improdutivas.
Cepas Nefropatogênicas: afetam aves com menos de 10 semanas e acarretam prostração, debilidade, desidratação e diarréia aquosa com urato nas fezes.

Lesões

Macroscópicas: verifica-se presença de exsudato mucóide e irritação na traqueia e seios nasais, sacos aéreos edemaciados e opacos, pequenas áreas de pneumonia.
Na presença de infecção secundária verifica-se aerossaculite, pericardite e perihepatite.
Em amostras nefropatogênicas verifica-se alterações renais como perda da coloração e lóbulos renais e ureteres aumentados com deposição de uratos.
Em aves adultas verifica-se hipotrofia de oviduto, presença de ovo ou óvulos na cavidade abdominal e pode-se ter associação de Mycoplasma, Pneumovirus e Escherichia coli levando a uma sinusite e traqueíte.
Microscópicas: verifica-se giperplasia e metaplasia epitelial na traqueia e brônquios, infiltração linfocitária no oviduto, rins com infiltração de células inflamatórias, necrose do epitélio tubular, acúmulo de uratos e material necrótico no lúmen.

Diagnóstico

Anamnese e História Clínica;
Sinais Clínicos;
Exames Complementares:
-Isolamento viral: inoculação em ovos embrionados (inoculação em cavidade alantóide de embriões com 9 a 11 dias e após 7 dias verifica-se as alterações, caso sejam positivos verifica-se: nanismo, enrolamento, depósito de urato e mortalidade embrionária), cultura de células primárias de rim de embrião (efeito citopático no terceiro dia – células birrefringentes) e cultura em epitélio do anel traqueal (perda do movimento dos cílios e degeneração com descamação das células epiteliais 72 horas após infecção);
*Material a ser coletado: pulmão, traquéia, rins, tonsilas cecais, fezes e porção do istmo e oviduto.
-Análise de patogenicidade: com inoculação via ocular, nasal ou intratraqueal em pintos suscetíveis e após 18 a 36 horas verificar os sinais clínicos como espirros, alterações patológicas em traqueia e brônquios e nefrite/nefrose no caso de amostras nefropatogênicas.
-Sorologia (mais utilizados): soroneutralização, inibição da hemoaglutinação, imunofluorescência, PCR, ELISA e precipitação em Agar gel.

Diagnóstico Diferencial

Doença de Newcastle, laringotraqueíte, coriza infecciosa, pneumovirose e micoplasmose. Diferencial de ocratoxicose e intoxicação por sulfas no caso de nefrite/nefrose e diferencial de síndrome da queda de postura, intoxicações, erros de arraçoamento e falta de água para queda de postura.

Tratamento

Não há tratamento para esta enfermidade, apenas a utilização de antibióticos para controle de infecções secundárias.

Controle e Prevenção

-Boas práticas de biosseguridade;
-Controle sanitário com vacinação sistemática dos lotes de aves;

Vacinação

Vacinas: vacinas vivas ou inativas com sorotipo Massachusetts
Esquema: de acordo com a situação epidemiológica do plantel.
-Frangos de corte: vacina-se no primeiro dia no incubatório com vacina spray (vírus vivo) e pode-se fazer o reforço com 7 ou 10 dias.
-Poedeiras comerciais: vacina-se na 1ª, 3ª, 5ª e 10ª semana com vacina viva e na 13ª semana e 15ª semana utiliza-se vacina oleosa, caso necessite de outras doses, faz-se a revacinação a cada 10 semanas após a vacinação com a vacina oleosa.
-Reprodutoras pesadas: vacina-se na 1ª, 3ª, 5ª, 10ª, 14ª e 15ª semana com vacina viva e na 19ª semana e 22ª semana utiliza-se vacina oleosa, caso necessite de outras doses, faz-se a revacinação a cada 10 semanas após a vacinação com a vacina oleosa.
* Para poedeiras e matrizes pesadas faz-se a vacinação IM oleosa no peito ou na coxa.

Fonte: Veterinarian Docs

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