Influenza Aviária

Influenza Aviária

Definição: enfermidade viral altamente contagiosa, caracterizada por sinais clínicos e lesões de sistema respiratório, digestivo, reprodutivo e nervoso. Afeta aves domésticas e também silvestres (dificilmente ficam enfermas).
*Enfermidade de notificação obrigatória.
**Aves aquáticas e migratórias são fontes disseminadoras.

Etiologia

Vírus pertencente à família Orthomixoviridae e gênero Influenzavirus com 3 tipos (A, B e C). Tipo A afeta aves e tipo B e C seres humanos.

Características do Agente

Subtipificação do vírus quanto aos antígenos de superfície: Hemaglutininas (H) com 15 subtipos e Neuramidases (N) com 9 subtipos.

Hemaglutininas: responsável pela ligação do vírus ao receptor da célula hospedeira, penetração do vírus na membrana citoplasmática e proporciona capacidade hemoaglutinante ao vírus.
Neuramidases: responsável pela liberação do vírus na célula do hospedeiro.
Não há imunidade cruzada entre os subtipos.
Período de Incubação: entre 1 a 3 dias.
H5 e H7 são cepas de alta patogenicidade e o restante é de baixa patogenicidade. IPIV (índice de patogenicidade intravenosa) acima de 1,2 em frangos com 6 semanas de idade.

Classificação do Subtipo

Tipo/Espécie Animal/Localização Geográfica/Número de Referência do Laboratório/Ano de Isolamento/Subtipo de Hemaglutinina/Subtipo de Neuramidase.
Exemplo: A/Duck/Hokkaido/4/96/H5N3

Sensibilidade do Vírus

Inativado a temperatura de 56ºC por 3 horas ou 60ºC por 30 minutos, pH ácido e desinfetantes a base de iodo ou formol.
Vírus viável por longos períodos em tecidos, fezes, água, temperatura de refrigeração e o congelamento conserva o vírion por período indeterminado.

Transmissão

Direta: por secreções naso-oculares (aerossóis), fezes e ovo (via não comum)
Indireta: água, equipamentos, ração, insetos, aves migratórias e cama
Aves aquáticas são reservatórios naturais e permanecem infectadas por longos períodos, sem apresentarem sinais clínicos.
*Patos podem excretar o vírus sem apresentar qualquer sinal clínico ou lesão.

Patogenia

O antígeno HA é o mais importante, pois é responsável pela atividade hemaglutinante do vírus e pela aderência nas células susceptíveis. Além disso, os antígenos presentes na HA e na neuraminidase variam constantemente, o que dificulta o controle imunológico da doença. Salienta-se que o vírus influenza é capaz de permutações genéticas, variando, dessa forma, suas características de patogenicidade.
Todos os tipos de vírus H5N1 possuem uma série de aminoácidos básicos, no sítio de clivagem da HA, e são altamente letais para frangos, produzindo infecção sistêmica.
Subtipos H5 e H7 estão associados a mortalidade elevada.

Sinais Clínicos

Vírus de Baixa Patogenicidade: pode não desencadear a enfermidade, mas pode-se verificar espirros, tosse, seios nasais inflamados, depressão, diarréia, mortalidade (quando em presença de infecção secundária) e diminuição da postura ou ovos deformados.
Vírus de Alta Patogenicidade: verifica-se depressão grave, inapetência, diarréia, desidratação, edema facial, cristas e barbelas aumentadas e cianóticas, corrimento nasal, tosse, espirros, petéquias hemorrágicas (traquéia), falta de coordenação motora, queda na produção de ovos e ovos deformados e com casca fina.
*Surtos: sem sinais com alta mortalidade (morte súbita em 60 a 80% do lote).

Lesões

Macroscópicas:
Vírus de Baixa Patogenicidade: verifica-se lesões discretas, traqueite branda, aerossaculite, congestão pulmonar, atrofia de ovário e oviduto e infecções secundárias aumentam a gravidade das lesões.
Vírus de Alta Patogenicidade: mortalidade antes do aparecimento das lesões, congestão intensa da musculatura, edema, hemorragia e necrose de barbela e crista, edema e hemorragias subcutâneas, exsudato mucoso intenso no lúmen da traqueia ou
traqueite hemorrágica grave, pneumonia e hemorragia nos órgãos internos (ovários, proventrículo e tonsilas cecais).

Microscópicas:
Vírus de Alta Patogenicidade: verifica-se necrose e infiltrado linfocitário no baço, miocárdio, cérebro, olhos, crista, pâncreas e músculo esquelético. Necrose e hemorragia na moela e proventrículo, edema e hemorragias em muitos órgãos e musculatura do peito bastante congesta.

Diagnóstico

Anamnese e História Clínica.
Sinais Clínicos.
Exames Complementares:
-Isolamento viral;
-Inoculação em ovos embrionados SPF
-PCR, ELISA e Inibição da Hemoaglutinação.
*Coleta de amostras:
Animais vivos: swab de cloaca, traquéia, nasal, fezes frescas e soro sanguíneo.
Animais mortos: baço, fígado, cérebro, traquéia, pulmão e coração.

Diagnóstico Diferencial

Doença de Newcastle, laringotraqueíte infecciosa e cólera aviária aguda.

Tratamento

Não há tratamento efetivo.

Controle

Deve-se evitar a disseminação com o sacrifício das aves do lote, fazer limpeza e desinfecção das instalações, vazio sanitário de 21 dias e controle com alojamento das aves sentinelas SPF.


MAPA exige que todas as granjas credenciadas como produtoras de matrizes façam teste para influenza.

Controle na Presença de Foco

-Interdição imediata e sacrifício das aves em propriedades em um raio de 3 km (zona proteção) e raio de 7 km (a partir zona proteção) – zona de vigilância.
– Monitorados para avaliar a disseminação do vírus.
-O trânsito de pessoas, animais e veículos deve ser limitado.
-Deve-se executar o banho na entrada e saída da granja, troca de roupas, calçados e desinfecção veículos, evitar entrada de aves aquáticas e silvestres na granja (uso de telas antipássaros) e evitar presença de lagos na propriedade.
-Influenza aviária pertence a lista A da OIE, portanto sua comunicação é obrigatória e imediata em caso de surto. Controle regulamentado na IN32, de 13 de maio de 2002.

Vacinação

No Brasil não é permitido o uso de vacinas.
Vacinação pode ser utilizada no controle de surtos (tecnologia DIVA.
Não á como diferenciar vírus vacinal do vírus de campo.

Fonte: Veterinarian Docs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *